quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

I MEETING DE ORIENTAÇÃO DE GOUVEIA: IMPRESSÕES




Ainda o I Meeting de Orientação de Gouveia, ao encontro das opiniões de alguns dos seus principais protagonistas. Auscultámos os atletas Patricia Casalinho, Diogo Miguel, Alicia Cobo, Olav Lundanes e Amélie Chataing e ainda o Director da Prova, Luís Gonçalves. Para o derradeiro acto desta jornada jornalística de Gouveia, reservamos para amanhã uma Grande Entrevista com Thierry Guergiou, o actual líder do 'ranking' mundial.


A prova deste segundo dia correu relativamente bem, mas a prova de ontem não. Perdi muito tempo, o mapa tinha muita informação, era muito difícil de interpretar e obrigava a fazer um tipo de navegação muito diferente daquilo a que estamos habituados. Normalmente olhamos para o mapa e depois para o terreno, enquanto ali tínhamos de olhar primeiro para o terreno para depois ver o que estava realmente no mapa. Quanto ao terreno de hoje era muito bom, fez-me lembrar alguns terrenos em Espanha e achei muito gira esta ideia da troca de mapas na parte final. A transição constitui um choque muito grande. Enquanto vamos na floresta vamos a azimute, vamos a tudo, ao passo que aqui, para além da diferença da escala, são muitos pormenores, é preciso saber gerir muito bem, ter cuidado e não exagerar na velocidade. Estou numa fase da época onde tenho muito para crescer fisicamente, ainda há muito trabalho a fazer, mas também ainda há tempo, ainda agora começou a época.

Patrícia Casalinho (COC)


Em termos de organização, este Meeting de Gouveia foi bom. Em termos de mapas, gostei muito deste mapa de hoje, acho que está um mapa muito bom mesmo, é diferente daquilo que temos cá em Portugal. A transição de mapas provocou uma sensação de alívio, sinceramente. Esta é uma floresta onde é muito difícil correr, é uma floresta com muita pedra solta, muitos galhos no chão, e quando chegamos à cidade, embora a escala seja diferente, até parece outra coisa, parece que estamos a fazer outro desporto. Em termos pessoais correu-me muito mal, tanto ontem como hoje, cometi erros atrás de erros. Vou ver se aprendo alguma coisa.

Diogo Miguel (Ori-Estarreja)


Estou muito contente com este resultado. Na etapa de ontem comecei por falhar logo no primeiro ponto, fui apanhada pela Amélie [Chataing] e seguimos juntas a partir daí praticamente toda a prova. Pareceu-me um mapa com demasiado detalhe, havia muita rocha, muita vegetação densa, num terreno muito duro e difícil. Mas foi um gozo, apesar dos erros já na parte final devido ao cansaço. Estes terrenos são excelentes para treinar a pensar já no Campeonato do Mundo de França e recomendo àqueles que não vieram, que possam vir aqui treinar ou competir. Portugal encanta-me, toda a gente é muito amável, os terrenos são muito “giros” para fazer Orientação, a comida, o sol, tudo... Vamos voltar a ver-nos no Portugal O' Meeting.

Alicia Cobo (Navaleno)


Estou a treinar já desde metade de Novembro, o clima nesta altura do ano é fantástico em Portugal, estes terrenos são muito bons para treinar e são essas as razões essenciais de ter vindo aqui a Gouveia. Gostei muito do mapa do primeiro dia, em termos pessoais diria que é um dos meus mapas favoritos. Penso que a opção do cartógrafo em representar no mapa aquele tipo de detalhe foi óptima. Quanto aos percursos, tivemos um percurso muito técnico no primeiro dia, hoje um percurso essencialmente físico, foi excelente. Esta opção da transição de mapas foi muito boa, tivemos um Sprint espectacular e a ideia de termos os dois mapas na mesma folha, não termos de trocar de mapa na Arena, foi fixe. A organização foi perfeita. Vem aí uma temporada dura, em Março estarei em treinar em França a pensar nos Campeonatos do Mundo e por essa razão não estarei na edição do Portugal O' Meeting deste ano. O título de Campeão do Mundo de Distância Longa trouxe-me maiores responsabilidades, perante mim, perante os meus companheiros, perante os sponsors... Não posso prometer nada, a época está agora a começar, mas irei para França com a ideia numa medalha.

Olav Lundanes (Halden SK)


Foi uma experiência fantástica treinar nestes super-terrenos para a corrida de Orientação. Os mapas eram realmente muito detalhados, muito bons, e foi um prazer enorme correr neles. Fizeram-me pensar nalguns mapas de Espanha, de Madrid, mas mais detalhados ainda. Penso que nós, os franceses, preferimos este tipo de mapas assim, bem detalhados. Cometi alguns erros, sobretudo na segunda metade dos percursos, talvez devido ao cansaço acumulado pelo facto de estar a treinar intensamente já há alguns dias. Neste momento estou a recuperar duma fractura de fadiga, fiz uma boa reabilitação, muita bicicleta, ainda tenho algumas dores de quando em vez mas está tudo a voltar ao normal. Este ano os Campeonatos do Mundo são no meu país e estou a preparar-me a sério para essa competição. Mesmo estando mais familiarizada com o tipo de terrenos onde se desenrolarão os Mundiais – a antepenúltima etapa da Taça do Mundo do ano passado disputou-se naquela região, dando a ver que os terrenos são muito exigentes fisicamente e apresentam muito detalhe - e até com o próprio estilo de cartografia, não creio que isso seja uma grande vantagem e penso que um pódio, no meu caso pessoal, será inacessível. Importa sobretudo treinar muito para conservar essa pequenina vantagem e, seguramente, voltarei em Março a Portugal para o Portugal O' Meeting.

Amélie Chataing (Kalevan Rasti)


O balanço é muito positivo. Pelo feedback que recebi da Câmara Municipal de Gouveia, foi muito bom para o concelho ter tido aqui um evento desta envergadura, com a presença de cerca de setenta estrangeiros, entre os quais alguns dos melhores atletas do Mundo e todos os melhores atletas portugueses. Para o CPOC foi particularmente bom, uma vez que vínhamos duma organização que sofrera várias críticas e penso que nesta foi tudo do agrado dos participantes. Conseguimos trazer os atletas a terrenos muito desafiantes, como foram os de Arcozelo, e brindá-los no último dia com uma prova inédita em Portugal, conjugando uma Distância Média com um Sprint. Esta foi a minha primeira experiência como Director de Prova e representou pessoalmente um enorme desafio. Quando aceitei o cargo não sabia o que me esperava, houve dias muito difíceis, de muita pressão, mas com o apoio dos “veteranos”, do clube, de toda a gente, deu para contornar as dificuldades. É uma passagem de testemunho que recebo de braços abertos e sinto-me particularmente recompensado por isso.

Luis Gonçalves, Director da Prova (CPOC)



Amanhã não perca, na Grande Entrevista, as opiniões do número 1 do Mundo, Thierry Guergiou. Aqui, no seu Orientovar.
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Saudações orientistas.
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JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

José disse...

Mas que sorte! se o S.Pedro colaborou, que dizer das vedetas Gueorgiu e Lundanes,que esgrimaram o resultado taco a taco até ao fim.

O terreno do 1ºdia era extraordinário. Mas aquele mapa... não sei que dizer... seguramente,não é para velhos... tive muita dificuldade em lê-lo.

O terreno do 2º dia era menos interessante, mas o ponto de espetadores na vila e um speaker conhecedor tornaram a chegada entusiástica.

Uma pequenina, mas agradável surpresa, a participação de atletas locais (Arcozelo) nos escalões de promoção.
Será que vai nascer um núcleo de ORI na região?
Bem, mapas já têm, venham os apoios.

Parabéns ao CPOC pela excelente organização.