sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

NA ORDEM DO DIA: ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ORIENTAÇÃO




Agendada para amanhã, em Gouveia, a Assembleia Geral Extraordinária da Federação Portuguesa de Orientação concentra as atenções e apreensões da comunidade orientista. O Orientovar já aqui trouxe a posição do Conselho Fiscal, na pessoa do seu Presidente, Leandro Silva. Hoje seria a vez de Alexandre Guedes da Silva, Presidente da Direcção da FPO, falar neste espaço. Declinou o convite!


1. Quarta-feira, segundo dia deste airoso mês de Fevereiro. São 12h51 quando o telemóvel toca. Reparo no número, 933..., atendo. Do outro lado uma voz que não identifico imediatamente. É Alexandre Guedes da Silva, o Presidente da FPO. “ - Desculpa, mas não te vou responder às questões. São questões que fazem sentido no âmbito do debate democrático que se deverá desenrolar na Assembleia Geral e declino por agora a resposta às questões por respeito para com os delegados que espero marquem presença maciça em Gouveia.”

2. A conversa viria a durar 33 minutos e 58 segundos exactos. Trocam-se ideias e impressões de forma cordata, exemplar. Durante esse período de tempo, percebo duas notas verdadeiramente relevantes. Alexandre Guedes da Silva é um homem de convicções – independentemente da razoabilidade ou adequação das suas propostas - e Alexandre Guedes da Silva é um homem desacompanhado. Construiu de forma solitária aquilo que gosta de designar por “novo paradigma para a Orientação”. Acredita piamente nas suas propostas e nos seus propósitos. E irá em frente até onde o deixarem. Mesmo que sozinho. Ou quase!

3. Quando o Relatório e Parecer do Conselho Fiscal foi tornado público, já muito antes Leandro Silva tinha manifestado a intenção de comentar o documento para o Orientovar antes da Assembleia Geral e não depois, como tinha sido combinado à partida. Nessa altura, repensei toda a estratégia jornalística do Orientovar. Se ia dar voz ao Conselho Fiscal antes da Assembleia Geral, teria de fazê-lo igualmente em relação à Direcção da Federação. Não queria contudo que as questões a colocar a Alexandre Guedes da Silva fossem motivadas ou condicionadas pelo meu conhecimento prévio do Relatório e Parecer do Conselho Fiscal. Parti para uma análise aprofundada dos dois documentos que tinha entre mãos: o Plano Estratégico 2011 – 2016 e o Plano de Actividades e Orçamento 2011. E fiz questão de dar a palavra a Alexandre Guedes da Silva, apenas depois de se ouvir o que Leandro Silva tinha para dizer. Pareceu-me o mais correcto.

4. Terça-feira, primeiro dia deste airoso mês de Fevereiro. As questões a colocar a Alexandre Guedes da Silva estão formuladas e prontas para enviar. Hesito. Tamborilo com os dedos na mesa. Enviar ou não enviar, eis a questão. São questões pouco simpáticas mas sei que Alexandre Guedes da Silva não é homem para se intimidar. Aliás, sei que levaria a mal colocar-lhe questões que pudessem deixar antever a ideia de que estava ali para lhe fazer o frete. Não, não faço fretes a ninguém. Não estou aqui para branquear comportamentos. Olho para o relógio no canto superior direito do ecrã. São 13.08. Movo o rato ao encontro da pequena janela e clico na tecla. “Enviar”.

5. Sim, é verdade. É verdade que lhe perguntei como é que ele, Alexandre Guedes da Silva, um “legalista convicto”, convivia com a situação de irregularidade decorrente do facto de estarmos perante uma proposta de Plano de Actividades e Orçamento 2011enviada à Assembleia Geral da FPO no passado dia 20 de Janeiro quando deveria ter sido apresentada e votada há mais de dois meses.

6. Sim, é verdade. É verdade que lhe perguntei se, em algum momento, houve da parte da Direcção da FPO, alguma tentativa de ingerência naquilo que entenda deva ser o normal funcionamento do Conselho Fiscal.

7. Sim, é verdade. É verdade que lhe perguntei se considerava que o Conselho Fiscal constituía um “contra-poder” dentro da Federação Portuguesa de Orientação?

8. Sim, é verdade. É verdade que cruzei os dados entre aquilo que é apresentado no Plano Estratégico 2011 – 2016 e no Plano de Actividades e Orçamento 2011, percebi que no primeiro se vinca a “conjuntura económica de crise financeira com consequências previsivelmente recessivas” e, em particular, o “contexto orçamental restritivo nos principais financiadores – IDP e autarquias”, ao passo que no segundo documento, “o valor global a solicitar ao IDP será de 637 675,00 €” quando, em 2010, esse valor se cifrou nos 170 461,56 € e lhe perguntei se considerava, face a valores no mínimo pouco razoáveis, se não temia logo à partida a descredibilização dum documento que, afinal, até tem inúmeras virtudes.

9. Sim, é verdade. É verdade que voltei aos dinheiros do IDP, chamei à pedra a “saga” no Fórum FPO que ele designou por “Ori-Futuro – Onde queremos que a Orientação esteja em 2020 ?!?” e o “post” datado de 10 de Agosto onde se perguntava se “será sustentável uma Federação que dependa em mais de 50% das verbas do Estado???” e lhe perguntei - agora que o Plano de Actividades e Orçamento 2011 permite perceber que aquilo que é solicitado ao IDP é que garanta, só à sua conta, 70% (!) do total das receitas - onde é que está a coerência no meio disto tudo.

10. Sim, é verdade. É verdade que fui buscar a Entrevista que deu à “Orientação em Revista” nº 35, de Fevereiro de 2010 - a questão sobre os motivos pelos quais a FPO se demarcou da organização do ARWC 2009 e a sua resposta na altura, “ainda hoje desconhecemos quais foram as motivações da Direcção da FPO para recusar o convite dirigido pela APCA para a liderança da organização do Campeonato” - e lhe perguntei porque é que sentiu esta necessidade de incluir no Plano de Actividades e Orçamento 2011, no ponto II.3, a afirmação de que “a FPO e os seus associados realizaram em Portugal (…) em 2009 e percorrendo trinta concelhos do Centro do País (...) o Campeonato do Mundo Absoluto de Corridas de Aventura”. No fundo, o que queria saber era qual a motivação de implicar a FPO num evento com o qual teve tanto a haver como tiveram a Câmara Municipal de Mação, a Junta de Freguesia do Barco ou o Vilarregense Futebol Clube, por exemplo.

11. Sim, é verdade. É verdade que lhe perguntei se não temia que os clubes, ao invés do que lhes é prometido, vejam na obrigatoriedade de assinar contratos programa com a FPO para a atribuição de apoios à organização dos seus eventos, uma forma de condicionamento das suas próprias fontes de receita e não acreditem na bondade do gesto.

12. Sim, é verdade. É verdade que quis saber se, no caso das receitas se situarem em valores bastante inferiores ao orçamentado, de que forma pensava rever o Plano de Actividades e Orçamento 2011, ou seja, o que é prioritário e ficaria e o que é secundário e cairia.

13. Sim, é verdade. É verdade que lhe pedi que, assim que fosse tornado público o Parecer do Conselho Fiscal, se pronunciasse sobre o documento e tudo aquilo que lhe estava subjacente.

14. Sim, é verdade. É verdade que recuei ao passado dia 8 de Julho, à forma como na altura enfatizou a “total demagogia e desprezo” de dois membros da anterior Direcção da FPO para com os corredores de aventura e “pela Orientação em geral”, se afirmou disponível para “ajudar a preparar uma lista” e a contribuir para a síntese de ideias “num programa eleitoral que faça sentido e motive as vocações dispersas para lançarmos uma nova pagina da Orientação Portuguesa”, colocando, todavia, uma condição que classificava de “irrevogável”: a de não ser, “em caso algum, candidato a nenhum lugar da FPO que não seja na sua Assembleia Geral”. E agora, com praticamente quatro meses que leva de mandato, quis saber o que sentia o actual Presidente da FPO ao olhar para trás.

15. Por último, sim, é verdade. É verdade que quis saber se estava preparado para se demitir do cargo, caso o Plano Estratégico 2011 – 2016 e o Plano de Actividades e Orçamento 2011 venham a ser chumbados na Assembleia Geral de amanhã.

16. Como irá decorrer a reunião magna da FPO, eis a questão. Que estas e outras perguntas irão estar em cima da mesa, não tenhamos dúvidas. Que Alexandre Guedes da Silva saberá responder adequadamente àquilo que se pretende saber, já será uma incógnita. Uma coisa é certa: face ao chumbo do Plano de Actividades e Orçamento 2011, Alexandre Guedes da Silva deixa de ter condições para continuar à frente dos destinos da Federação. Todos sabemos isto. Mas todos sabemos, também, que esta é uma realidade que joga a favor de Alexandre Guedes da Silva. Para o bem e para o mal, é neste ponto de encruzilhada que se encontra actualmente a nossa Orientação.

17. Os sucessivos atrasos a que a apreciação e votação do Plano de Actividades e Orçamento 2011 tem sido sujeito não é inocente. O momento de decidir é agora. O entendimento que os delegados à Assembleia Geral têm da escassa margem de manobra que lhes resta é uma incógnita. É aí que tudo se joga. Fica a grande dúvida: Depois da reunião de amanhã, voltará a Orientação a ser aquilo que era?


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

3 comentários:

corridas disse...

Caro Margarido
Ainda se arrisca a um processo disciplinar!
eheheheh

antunes disse...

Bom Dia Caro amigo Margarído;

Mais uma vês a sua excelente narração, vem plena de oportunidade.
Parabéns e muito obrigado.

Rui Antunes

Dinis Costa disse...

Só € no coração e na cabeça