quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

THIERRY GUEORGIOU: "É NO INVERNO QUE SE GANHAM AS MEDALHAS DO VERÃO"




Sete títulos de Campeão do  Mundo de Orientação Pedestre, dos quais seis na Distância Média, elevaram-no à categoria de “Rei”. Thierry Gueorgiou, actual líder do 'ranking' mundial, esteve em Portugal de novo, tendo vencido no passado fim-de-semana o I Meeting de Orientação de Gouveia. Num ano onde muita coisa se irá jogar – em Agosto, os Mundiais de Orientação Pedestre terão lugar no seu País – vale a pena escutar este grande senhor da Orientação mundial.


Orientovar – É bom reencontrá-lo de novo em Portugal, com todo este sol magnifico e num local particularmente aprazível para a prática da Orientação. Quer falar-me disso?

Thierry Gueorgiou – Sim, efectivamente é a primeira vez que venho para esta zona de Portugal e fico, uma vez mais, verdadeiramente surpreendido com a qualidade dos terrenos. Tinha vindo ao Portugal O’ Meeting em 2007, em S. Pedro do Sul. Não é muito distante daqui. Ontem, e mesmo hoje, foi realmente muito bom. Estamos em altitude, portanto é realmente simpático. Depois, ontem mesmo, subimos até às Penhas Douradas, no topo de Portugal e fiquei extraordinariamente surpreendido por encontrar também terrenos de tão boa qualidade.

Orientovar – De que forma é importante para a sua preparação esta pré-temporada?

Thierry Gueorgiou – É no Inverno que se ganham as medalhas do Verão. Logo, é agora que é necessário fazer muitos quilómetros, fazer muitas provas. Estamos a estagiar aqui há uma semana, esta é a segunda vez este Inverno que venho a Portugal, penso que voltarei ainda uma vez mais com o meu clube finlandês para o Portugal O’Meeting. Portanto, Portugal é um sítio onde venho com muito frequência.


Desde que o mapa seja bom, não me incomoda nada se corro numa escala de 1: 10 000 ou de 1: 15 000

Orientovar – A corrida de ontem, a corrida de hoje. Que diferenças?

Thierry Gueorgiou – Foi completamente diferente, os terrenos de ontem e de hoje são totalmente diferentes. Eu diria que ontem foi 70% de técnica e 30% de corrida e hoje é um pouco o inverso, ou seja, muito duro fisicamente, portanto muito bom. E depois, hoje, foi realmente especial acabar com um Sprint. Gostei muito porque chegamos aqui, estamos desgastados com a corrida na floresta e isto torna o Sprint muito mais difícil. E também apreciei o facto de estar organizado desta forma, numa aldeia antiga. É sempre especial e gostei imenso.

Orientovar – Pedia-lhe que partilhasse connosco as suas impressões acerca dos mapas deste I Meeting de Orientação de Gouveia?

Thierry Gueorgiou – Relativamente à corrida de ontem, o terreno era muito detalhado, é realmente muito difícil fazer um bom mapa. Penso, todavia, que o mapa de ontem era muito bom. Talvez contivesse demasiados elementos, visto que até as pedras mais pequenas estavam marcadas. Mas isso não me incomoda desde que haja uma certa homogeneidade no mapa e que, enfim, quando encontro uma determinada pedra aqui e, cento e cinquenta metros mais à frente, vá encontrar mais ou menos a mesma pedra, ambas estejam marcadas de igual forma no mapa. É isto que é importante. Penso que o mapa era muito bom, a escala estava bem escolhida, depois… bem… outros terão uma filosofia diferente, não tenho opinião sobre isso. Desde que o mapa seja bom, não me incomoda nada se corro numa escala de 1: 10 000 ou de 1: 15 000.


Portugal tem uma enorme variedade de terrenos, todos eles muito diferentes e isso é uma sorte

Orientovar – Essa questão da filosofia de que fala, de se abordarem diferentes estilos de cartografia, isto é importante para se fazer um Campeão do Mundo ou não?

Thierry Gueorgiou – Sim, claro. Em todo o caso, é nisso que se baseia o nosso desporto. Nunca é igual, de cada vez que corremos os terrenos são diferentes, portanto a Orientação é particularmente versátil. Para alcançarmos boas performances, necessitamos de ser bastante flexíveis e de possuirmos muita experiência. Eu viajo muito. Nada melhor que o vosso País para exemplificar aquilo que digo. Portugal tem uma enorme variedade de terrenos, todos eles muito diferentes e isso é uma sorte.

Orientovar – Falemos um pouco do Campeonato do Mundo que este ano terá lugar no seu País. Tenho a certeza que a Estafeta francesa lhe está atravessada na garganta, depois do que aconteceu nos três anos anteriores. Será 2011, finalmente, o ano da consagração?

Thierry Gueorgiou – Sim, com efeito a Estafeta é um dos meus grandes objectivos para 2011. Aquilo que aconteceu nos anos anteriores, bom, não se pode alterar, já passou. Portanto, é com as ideias lavadas que encaro este objectivo e penso que, com os meus companheiros de equipa, temos o ânimo necessário para conseguir um bom resultado. Se esse resultado será a vitória, enfim, é assim o desporto. Nunca sabemos o que irá acontecer mas vamo-nos preparar da melhor forma.


O nível do Portugal O’ Meeting é cada vez mais elevado

Orientovar – Vamos vê-lo recuperar o título de Distância Média e acrescentar-lhe os títulos de Distância Longa e de Sprint?

Thierry Gueorgiou – Isso seria o ideal, mas todos sabemos que, entre o sonho e a realidade, nem sempre as coisas correm como gostaríamos. Não estou sozinho a competir na minha categoria, há muito bons concorrentes, vou necessitar de estar ao meu melhor nível e é para isso que me estou a preparar.

Orientovar – Uma última questão para si que é o número 1 do ‘ranking’ mundial. Venceu a prova WRE do último Portugal O’ Meeting, vai ter de ganhá-la de novo este ano…

Thierry Gueorgiou – Não vai ser fácil. O nível do Portugal O’ Meeting é cada vez mais elevado. Procurarei alcançar um bom resultado, como no ano passado. Já estagiei uma semana na região de Évora, penso que os terrenos do Portugal o’ Meeeting serão semelhantes, terrenos muito rápidos e depois zonas muito detalhadas. Mesmo estando em estágio há uma semana, estarei talvez um pouco fatigado, mas… procurarei na mesma dar o meu melhor.


Não deixe de visitar a página pessoal de Thierry Gueorgiou e de consultar o seu perfil no World of O.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

Ricardo Telmo disse...

Excelente entrevista a um grande campeao e exemplo de professionalismo e dedicacao a orientacao. Parabens!

ILCO disse...

qual é a modalidade em Portugal que traz os maiores craques mundiais todos os anos e alguns várias vezes?