segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

V TROFÉU ORI-ALENTEJO: AUSTRÍACOS MOSTRARAM QUE NÃO SÃO GAGOS




Distância Longa com partida em massa. Foi esta a proposta da Associação 20 km de Almeirim para a segunda etapa do V Troféu Ori-Alentejo. Numa prova de grande qualidade, uma aposta seguramente ganha.


Palco do Campeonato Nacional de Distância Média 2009, a Barragem dos Gagos, junto à aldeia de Marianos, no concelho de Almeirim, voltou a receber uma prova de Orientação Pedestre. Tratou-se da segunda etapa do V Troféu Ori-Alentejo, evento que juntou 134 participantes em representação de 23 clubes, entre os quais quatro dos melhores atletas austríacos da actualidade.

Com mapa de José Batista (Fevereiro de 2009), actualizado por José Oliveira (Janeiro de 2011) e traçado de percursos de Nuno Evangelista, a prova teve precisamente nos atletas austríacos os grandes dominadores do escalão Difícil Masculino, alcançando os três primeiros lugares da Geral. Com o tempo de 1.22.14, Helmut Gremmel (HSV Pinkafeld) foi o mais rápido, logo seguido de Markus Lang, do mesmo clube, com 1.22.43 e de Christian Wartbichler (ASKÖ Henndorf) com 1.23.42. Tiago Romão (ADFA) gastou 1.23.58 para os 13,5 km de prova (785 metros de desnível), tendo sido o melhor português na quarta posição. No escalão Difícil Feminino a vitória sorriu a Mariana Moreira (CPOC), com 1.21.19 para 8,8 km de prova (520 metros de desnível), seguindo-se Rita Rodrigues (GafanhOri) com 1.29.33 e Marta Fonseca (ADFA) com 1.35.10.

Quanto aos restantes escalões, Alfredo Gualdino (COAC) e Ana Salgado (GafanhOri) venceram em Médio Masculino e Feminino, respectivamente, enquanto as vitórias em Fácil Masculino e Feminino pertenceram a Horácio Coelho (COAC) e Cátia Lopes (EB Cunha Rivara – Arraiolos). Finalmente, no escalão de Iniciação, a vitória foi de novo para o emblema do COAC, pela mão de Marco Pope.


O que eles disseram

Para quem precisa de óculos para ver o mapa, não há pior arrelia do que a chuva. E o percurso Médio era durinho: 425 m de desnível em 7,6 km, com bastantes zonas de vegetação rasteira. Mas as curvas de nível liam-se bem no terreno (tirando os óculos, está claro) e o traçador soube no geral penalizar o uso dos muitos caminhos, beneficiando quem fizesse as melhores opções baseadas no relevo. O meu tempo (1.05.59), creio que a uns 6 minutos do vencedor, deixou-me satisfeito, mas a maior satisfação da manhã veio num SMS de Sevilha: o Tiago Aires acabava de correr a sua primeira maratona em 2.36.00!

Manuel Dias (Individual)


Numa manhã com muita chuva, foi muito interessante participar nesta prova de Distância Longa com partida em massa, ainda para mais com a presença de alguns atletas estrangeiros! O mapa era o já esperado, algo duro fisicamente e com a maioria das opções a serem feitas por caminhos, tanto para evitar o desnível como a vegetação. Em relação à minha prova ainda não foi ao melhor nível, pois apesar do mapa não ter dificuldades técnicas de maior, acabei por hesitar no ataque ao ponto em duas ou três situações. Além disso, na parte final, acabei por me ressentir fisicamente do Corta-Mato realizado na véspera! Considero que o 20km de Almeirim cumpriu mais uma etapa do Troféu Ori-Alentejo com qualidade, tornando assim este Troféu cada vez mais uma referência a nível nacional!

Tiago Romão (ADFA)


Uma prova bem conseguida onde só a chuva atrapalhou

Este ano o Ori-Alentejo tem uma nova estrutura em relação aos anos transactos, primeiro com uma prova de Distância Ultra-Longa e agora com uma prova de Distância Longa com partidas em massa. Na minha opinião uma prova bem conseguida onde só a chuva atrapalhou e onde o speaker poderia ter estado mais presente a acompanhar a passagem dos atletas junto da Arena.

Em relação à prova em si, entrei mal no mapa falhando assim o primeiro ponto mas rapidamente percebi o meu erro e corrigi. O primeiro ponto era logo o ponto central do loop onde havia uma grande dispersão. Fiz a prova quase toda sozinha, até chegar pela última vez ao ponto central onde, ao controlar o ponto, avistei a Ana Salgado e a Lena Coradinho que seguiam em direcção ao ponto junto da Arena. Nessa pernada tomei a opção onde fizesse menos desnível para não me desgastar tanto fisicamente, pois ainda tinha hipótese de as alcançar. Foi uma parte final do percurso ao rubro pois as três picámos o ponto 13 (eram 14) juntas e agora quem fizesse a melhor opção e tivesse mais força ganharia a prova. Eu optei por tentar ir o mais direito possível mas quando conclui a prova já a Ana Salgado o tinha feito, ficando eu em segundo lugar

Ana Coradinho (GafanhOri)


Uma prova com bastante desnível e chuva foi a que encontramos em Marianos. Prova sobre a qual não tenho muito a dizer, pois do ponto de vista técnico o mapa era bastante linear e com muito caminhos, não deixando espaço para muito erros. Se tecnicamente não há muito a apontar, fisicamente já não é bem assim pois nas subidas senti um pouco falta de força, fruto de uma fase inicial de treinos que para já não permite mais. A presença de alguns atletas austríacos elevaram as expectativas para esta prova, expectativas essas que ficaram preenchidas pela excelente bifana e sopa que eram servidas no bar. Apenas não achei o método de dispersão usado muito eficiente. Mas à parte disto, uma boa organização, um excelente treino, complementado por um bom serviço de bar.

Tiago Gingão Leal (GafanhOri)


Um bom treino, com maior exigência física do que técnica

Mais uma vez, lá fui fazer o percurso “Fácil”, pois os desníveis anunciados não eram de molde a aconselhar a meter-me em grandes aventuras. Mesmo assim, acabei por me enganar bastante (pois é, percurso fácil, veterana experiente...), porque facilitei, devido ao excesso de confiança (e, vá lá, também a alguma desactualização do mapa, pelo menos, segundo alguns comentários que ouvi). Quando dava por mim, estava num sítio que não tinha nada a ver com o correcto. A minha prova foi feita completamente debaixo de chuva, chuva essa, aliás, que tinha começado algum tempo antes do início da prova. Mesmo assim, ninguém arredou pé enquanto esperava pelo início da mesma, que se atrasou cerca de 15 minutos, nem mesmo as várias crianças que iam fazer o percurso de principiantes. É bom não esquecer que a prova era com “partida em massa”, o que significa que os atletas foram todos chamados para os funis cerca de dez minutos antes da hora da partida. A sorte é que a temperatura não estava demasiado baixa, o que amenizou o efeito da chuva, mas não evitou alguma impaciência pela espera molhada.

De qualquer modo, uma grande adesão de atletas, já com “fome” de provas, num ano de austeridade (de provas e não só), e um bom treino, com maior exigência física do que técnica. No fim, houve bar com um caldo verde muito agradável e acabadinho de chegar, bifanas, bolos, bebidas e, claro, o sempre indispensável café. O S. Pedro, mais uma vez, mostrou que gosta de nós, pois mandou-nos um Sol radioso para a entrega de prémios, tendo a chuva voltado, somente, durante a viagem de regresso. Uma ou outra falha como, por exemplo, a falta de sinalização para o local da prova e algumas perturbações na entrega de prémios, devido à maneira como foram feitas as classificações dos percursos com “loops”, não chegam para tirar o brilho a mais uma interessante etapa do Ori-Alentejo, de que gostei bastante. Que haja muitas assim.

Ana Carreira (CPOC)


Toda a informação em http://orialentejo.webnode.pt/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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